Dr. Sérgio Lamy
Pediatra. Intensivista pediátrico no Hospital de Dona Estefânia há mais de 25 anos. Consultório de pediatria e pediatria de urgência na Charneca da Caparica desde 1998.
Em síntese
O Dr. Sérgio Lamy é médico pediatra com subespecialidade em Cuidados Intensivos Pediátricos (2004) e equivalência em Neonatologia (2005), reconhecidas pela Ordem dos Médicos. Exerce, em paralelo, medicina hospitalar de cuidados intensivos - na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, desde 2000 - e pediatria de consultório na Charneca da Caparica desde 1998. Esta dupla actividade, incomum em Portugal, não é um detalhe curricular - é o centro da sua maneira de exercer pediatria: a experiência diária em situações críticas hospitalares certifica o rigor com que aborda cada criança em consultório, e o vínculo continuado com famílias em consultório lembra-o, todos os dias, de que cada criança em cuidados intensivos tem uma história, uma família, e uma vida que continua depois da alta.
Na prática, isto significa uma coisa simples mas rara: ver a criança no contexto da vida real, no consultório, e conhecer também o outro lado, o das situações em que a doença se agrava, acelera e obriga a decisões críticas. Quem trabalha nos dois lados aprende depressa que muitos quadros graves começam por sintomas banais. E aprende também que nem tudo o que assusta é grave. No meio destes dois extremos, o que faz diferença é a observação clínica, o tempo certo da decisão e a forma como se fala com os pais.
Formação
Natural de Almada. Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
• Internato Geral de Medicina no Hospital de Santa Maria, Lisboa.
• Internato de Pediatria no Hospital de Dona Estefânia, Lisboa.
• Serviço militar obrigatório como Oficial Médico da Força Aérea, na Base Aérea n.º 11 (Beja), com funções acumuladas no serviço de urgência do hospital distrital local - vinte meses de medicina sob pressão constante, em contexto de recursos limitados, que lhe ensinaram a tomar decisões clínicas rápidas, a comunicar com famílias em momentos de aflição, e a confiar na observação clínica quando a tecnologia não está disponível.
Carreira hospitalar
A pediatria não é uma carreira que se escolhe - é uma forma de estar no mundo, que se descobre por dentro, frequentemente sem aviso. A linha temporal que se segue ajuda a perceber o que distingue a sua prática: não deixou o hospital para fazer ambulatório, nem deixou o ambulatório para fazer hospital. Construiu a sua prática entre os dois. Esta sequência mostra uma carreira longa, coerente, e construída em áreas onde a margem de erro é curta e o sentido de responsabilidade é grande.
1996 - Inicia a carreira como Assistente Hospitalar de Pediatria no Hospital de Dona Estefânia.
Pouco depois - Integra a equipa fundadora do Serviço de Pediatria do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), com dedicação e experiência diferenciada em Neonatologia e Cuidados Intensivos Pediátricos.
Agosto de 2000 - Ingressa como médico intensivista pediátrico na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIP) do Hospital de Dona Estefânia, onde permanece em exercício até hoje. Mais de 25 anos dedicados ao cuidado de crianças em estado crítico - insuficiência respiratória e ventilação mecânica, hemodiafiltração, cateterismo venoso central, gestão de situações infecciosas e hemodinâmicas complexas, cuidados pós-operatórios major e específicos, trauma pediátrico grave, grandes queimados, doenças neurológicas agudas, entre outras condições críticas.
2004 - A Ordem dos Médicos concede-lhe a certificação na Subespecialidade de Cuidados Intensivos Pediátricos.
2005 - Equivalência na Subespecialidade de Neonatologia, atribuída pela Ordem dos Médicos.
2007 – Grau de Assistente Hospitalar Graduado em Pediatria (grau de Consultor).
Agosto de 2024 a Setembro de 2025 - Director/Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital de Dona Estefânia, com responsabilidade efectiva pela gestão clínica da unidade, coordenação da equipa médica, articulação com hospitais referenciadores em todo o país, e formação de internos de Pediatria.
A UCIP é um lugar singular dentro do hospital, e quem por lá passa nunca mais é o mesmo médico. Vê-se, diariamente, o melhor e o pior que pode acontecer a uma criança. Aprende-se a tomar decisões em segundos com informação incompleta. Aprende-se a falar com pais em situações em que não há boas notícias para dar. Aprende-se a reconhecer o limite das próprias forças - quando uma noite particularmente dura termina, e o médico que sai do turno está fisicamente intacto mas internamente exausto.
O Hospital de Dona Estefânia é, há mais de duas décadas, a sua casa profissional hospitalar. Viu a UCIP transformar-se de unidade pequena, com poucos recursos, em referência nacional para crianças em estado crítico, em articulação com hospitais de todo o país. Viu colegas chegarem e saírem. Viu internos crescerem e tornarem-se médicos seniores. Viu mudar, várias vezes, a forma como a unidade se organiza, a tecnologia disponível, a visão clínica dominante. Pertencer a uma instituição ao longo de décadas tem um valor que é difícil de explicar a quem nunca o viveu - é uma forma específica de continuidade, partilhada com colegas que crescem juntos, com enfermeiros que se conhecem há vinte anos, com auxiliares cuja competência e dedicação são, frequentemente, a espinha dorsal da unidade.
Cada hospital tem as suas rotinas, mas todos partilham uma cultura interna que se transmite por presença e exemplo, não por manuais. Não há documento institucional que substitua a presença diária dos profissionais experientes. Não há protocolo escrito que substitua a transmissão informal de práticas que se aprendem no corredor, na cabeceira, na pausa. Ao formar internos, transmite-se em parte conhecimento codificado em literatura e protocolos, mas transmite-se também uma cultura clínica específica, que é parte da identidade da unidade.
Caso clínico marcante - Doença de Menkes (1998)
Em 1998, o Dr. Sérgio Lamy foi o primeiro pediatra em Portugal a viabilizar tratamento para uma criança com Doença de Menkes - uma doença genética rara, hereditária, ligada ao cromossoma X, causada por mutações no gene ATP7A, que codifica uma proteína responsável pelo transporte intracelular do cobre. A doença era, até à data, considerada sem opções terapêuticas em Portugal. O caso ilustra uma característica que mantém na sua prática: quando há perspectiva razoável de benefício para uma criança, vale a pena questionar dogmas estabelecidos - com rigor científico, com articulação internacional, e com a coragem clínica de fazer o que é tecnicamente difícil.
Formação contínua
Para além da formação clínica em cuidados intensivos pediátricos, o Dr. Sérgio Lamy completou formações complementares em gestão hospitalar, comportamento organizacional, formação de formadores, comunicação intergeracional e inteligência emocional. É formador de internos de Pediatria que passam pela UCIP do Hospital de Dona Estefânia, com particular dedicação à articulação entre rigor técnico e dimensão humanista da medicina - porque considera que a competência clínica e a empatia não são alternativas, são exigências cumulativas.
Consultório de Pediatria - Charneca da Caparica
Em 1998, fundou o seu consultório de pediatria na Charneca da Caparica. Desde então, concilia a actividade hospitalar de cuidados intensivos com a prática de pediatria de proximidade, acompanhando crianças e famílias em todas as etapas do desenvolvimento - frequentemente desde as primeiras semanas de vida até à transição para a medicina de adultos.
Pediatria geral e vigilância de saúde infantil
Vigilância de saúde infantil estruturada, vacinação, alimentação e prevenção da obesidade, promoção do desenvolvimento, aconselhamento aos pais, e seguimento de doenças pediátricas correntes - agudas e crónicas. Acompanhamento continuado da mesma criança ao longo dos anos, sempre que possível, porque é nessa continuidade que se vê o desenvolvimento, se reconhece o que muda, e se constrói confiança suficiente para conversas difíceis.
Pediatria de urgência em ambulatório
Esta é uma das áreas de maior utilidade do consultório. Para situações agudas ou preocupações importantes que não podem esperar, são reservados horários no próprio dia para a observação de febre, dor, dificuldade respiratória, vómitos, diarreia, exantemas, alterações de comportamento, traumatismos ligeiros a moderados, suspeita de infecção, recusa alimentar marcada, prostração, ou qualquer agravamento súbito de uma criança previamente saudável.
A actividade combina competência em doença aguda, triagem de gravidade, diagnóstico diferencial, e articulação entre ambulatório e hospital. O objectivo não é substituir a urgência hospitalar quando ela é necessária - é observar cedo e bem, para que a decisão seguinte seja mais segura.
A formação e a experiência acumulada em cuidados intensivos pediátricos conferem particular segurança na avaliação precoce da gravidade. Permite reconhecer rapidamente o que é benigno e tranquilizar a família, e - igualmente importante - identificar precocemente o que é grave e organizar o plano individual de tratamento, vigilância ou referenciação hospitalar adequada antes de a situação se complicar.
A experiência intensiva muda o valor que este consultório representa. Quem viveu anos a receber crianças já em falência orgânica, choque, sépsis, trauma grave ou insuficiência respiratória, sabe que muitas histórias começaram de forma aparentemente simples. Esse conhecimento não serve para alarmar - serve para fazer melhor triagem, melhor diagnóstico diferencial e melhor vigilância. Serve também para evitar exames a mais, encaminhamentos precipitados e sustos desnecessários quando a observação clínica permite segurança.
Para muitas famílias, a vantagem é concreta. Em vez de entrarem logo num circuito de urgência hospitalar anónimo, sobrecarregado, e com o risco acrescido de exposição a outros agentes infecciosos, podem ser vistas por um pediatra que conhece a criança, o seu contexto e os seus antecedentes. Isto melhora a leitura dos sinais de alarme, e também a capacidade de tranquilizar quando o quadro é benigno. E quando não é benigno, a utilidade é ainda maior: a experiência hospitalar permite reconhecer cedo o que precisa de referenciação, internamento ou avaliação diferenciada. O objectivo nunca é competir com a urgência hospitalar - é decidir melhor antes de lá chegar, e encaminhar mais cedo quando isso faz diferença.
O consultório articula-se directamente com o Hospital de Dona Estefânia e o Hospital Garcia de Orta e com outras unidades hospitalares para os casos que exigem internamento, exames complementares, ou avaliação por subespecialidade - a continuidade entre o ambulatório e o hospital é, em situações graves, particularmente valiosa.
Filosofia de cuidado
A prática do Dr. Sérgio Lamy assenta em alguns princípios que partilha abertamente com as famílias.
Tempo adequado para cada consulta
Porque o que importa não é a velocidade do diagnóstico mas a sua qualidade.
A criança é, antes de mais, a sua família na sua circunstância
Cuidar bem de uma criança implica ouvir os pais, compreender a dinâmica familiar, integrar a escola na conversa quando indicado.
Sem bata branca
Opção deliberada - para reduzir a distância simbólica entre médico e família, particularmente importante em crianças pequenas e em adolescentes com ansiedade clínica.
Honestidade no que se sabe e no que não se sabe
Quando o diagnóstico é claro, dizê-lo. Quando há incerteza, dizê-lo também - explicar o que se vai fazer para esclarecer, e quanto tempo isso demora. A pressa para diagnosticar é, frequentemente, fonte de iatrogenia.
*Primum non nocere*
Não fazer mal antes de tentar fazer bem. Em pediatria - em que as crianças têm décadas à frente para sofrer eventuais consequências de uma intervenção precipitada - esta regra de Hipócrates é ainda mais exigente. Tratar não é silenciar sintomas. É compreender, esclarecer, intervir quando necessário, e - igualmente - recusar a intervenção quando ela faz mais mal que bem.
Articulação multidisciplinar
Nenhum profissional, isolado, dá conta da complexidade do desenvolvimento infantil. A construção de redes de colaboração com outras especialidades médicas e com terapeutas é parte essencial do cuidado.
Continuidade
Sempre que possível, acompanhar a mesma criança ao longo dos anos - porque é nessa continuidade que se vê o desenvolvimento, se reconhece o que muda, e se constrói confiança suficiente para conversas difíceis.
Para marcação de consulta
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Para questões clínicas frequentes, o blog deste site reúne mais de três dezenas de artigos detalhados sobre desenvolvimento, comportamento, saúde mental pediátrica, sono, alimentação, e cuidados ao recém-nascido - leitura útil para pais e para colegas médicos.
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